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Valuation
de Empresas Pequenas e Médias – A Importância
do Valor Patrimonial
Por Marcio Prado (*)
A determinação do valuation – ou o
valor econômico de uma empresa – é uma mistura
de ciência e arte. As transações de compra e
venda envolvendo pequenas e médias empresas possuem um comportamento
bastante distinto das transações com grandes empresas,
pois muitas vezes o histórico de receitas e lucros apresenta
variações significativas que dificultam ou mesmo inviabilizam
certos métodos de avaliação.
A
determinação do valor econômico de uma empresa
pode ser feita genericamente por três famílias de metodologias:
a do Fluxo de Caixa Descontado (DCF – Discounted Cash Flow),
a do Valor Patrimonial e a Avaliação Relativa ou por
Múltiplos. Outras metodologias relevantes são o cálculo
do Valor Econômico Adicionado (EVA – Economic Value
Added), o cálculo do Valor de Liquidação e
o cálculo do Valor de Reposição. A metodologia
EVA pode ser vista como uma derivação do cálculo
do Fluxo de Caixa Descontado, e os cálculos do Valor de Liquidação
e de Reposição como derivações do cálculo
do Valor Patrimonial.
A
metodologia utilizada com maior freqüência é a
do Fluxo de Caixa Descontado, seguida pela Avaliação
com uso de Múltiplos, que muitas vezes é usada como
complemento da primeira. Porém, ao tratarmos de transações
com empresas pequenas e médias, a volatilidade inerente a
esses negócios faz com que os cálculos com base no
Valor Patrimonial ganhem grande importância, pois representam
uma referência mais tangível para o cálculo
de valor da empresa, principalmente quando os fluxos futuros de
receita e lucros apresentam um elevado grau de incerteza.
Os
métodos patrimoniais de avaliação tipicamente
são utilizados quando o comprador percebe valor mais significativo
nos ativos do que no potencial de geração de lucros
através desses ativos. Dentro dos métodos patrimoniais
de avaliação há três cálculos
importantes que podem ser realizados: o Valor do Patrimônio
Líquido Contábil, o Valor de Reposição
e o Valor de Liqüidação.
O
patrimônio líquido contábil é um valor
fácil de ser apurado e corresponde à diferença
entre os ativos e os passivos da empresa. Ao abrirmos uma empresa
esse valor é bastante preciso e equivale ao valor econômico
da empresa, porém ao longo do tempo o valor do patrimônio
líquido contábil e o valor econômico vão
se distanciando, pois fatores como obsolescência, envelhecimento
dos ativos e inflação passam a distorcer os valores
constantes dos livros. Portanto, em muitos casos o Valor do Patrimônio
Líquido é somente referencial, não possuindo
vínculo direto com a realidade operacional do negócio,
o que o torna, portanto, em muitas situações, um parâmetro
de baixa relevância na avaliação do valor econômico
de uma empresa.
Em
diversas negociações, é comum apurar-se o Valor
do Patrimônio Líquido Ajustado, considerando reavaliações
e contingências, portanto gerando o chamado Valor de Reposição.
O que significa o Valor de Reposição? Ele representa
os recursos financeiros necessários para construir uma empresa
idêntica à que está sendo avaliada, excetuando-se
o valor dos ativos intangíveis, como a reputação
da empresa, a qualidade do seu corpo gerencial, sua marca e sua
carteira de clientes. Em transações de fusão
de empresas, com ativos intangíveis de valor comparável
e negócios com características e níveis de
rentabilidade similares, a determinação do Valor de
Reposição é extremamente útil para calcular
rapidamente o quanto cada parte está contribuindo ao novo
negócio.
Finalmente,
o valor de liquidação é aquele que representa
o valor da empresa caso esta necessite ser fechada. Esse é
o valor mínimo que pode ser obtido por uma empresa, através
da venda dos ativos tangíveis e do pagamento das obrigações
com os credores, e é normalmente considerado o valor de piso
em qualquer negociação. Essa metodologia de cálculo
de valor é indicada para casos nos quais o comprador está
interessado somente nos ativos da empresa, desprezando a capacidade
de geração de lucros futuros que os ativos ainda venham
a possuir. É o caso típico dos processos de falência.
Além
do cálculo do Valor Patrimonial, freqüentemente discute-se
o valor do goodwill, ou um valor intangível que
represente a capacidade da empresa de gerar lucros futuros com base
nos ativos existentes. Tecnicamente, o goodwill é
a diferença entre o valor pago em uma transação
de compra e venda de uma empresa e seu valor contábil. O
cálculo do goodwill é sempre estimado. Seu
valor depende de fatores como o apetite do comprador, a definição
do valor de um prêmio pelo controle da empresa, entre outros.
O goodwill é uma representação econômica
dos ativos intangíveis da empresa, tais como seu patrimônio
intelectual, suas marcas, seus recursos humanos e suas relações
externas potencialmente geradoras de valor.
A
metodologia DCF tenta amarrar o cálculo do goodwill a
uma estimativa bem embasada de potencial de contribuição
de lucros do negócio. Porém, em pequenas e médias
empresas, muitas vezes não há um sólido histórico
de fluxo de caixa que permita uma projeção de fluxos
futuros com baixo nível de incerteza. O uso do DCF nessas
situações equivale a construir um castelo de cartas:
se as bases não são firmes, a construção
cai facilmente, perante os argumentos mais triviais. Nessas situações,
a identificação do goodwill tende a ser um balanço
entre o apetite do comprador e sua percepção de payback
do investimento. O payback é um cálculo simples
que o comprador faz e que indica em quantos anos seu investimento
deverá retornar. Paybacks entre 3 e 5 anos são
comuns na aquisição de pequenas e médias empresas.
Paybacks acima de 5 anos tendem a gerar desinteresse e
relutância por parte do comprador.
Na
prática, nem todas as pequenas e mesmo médias empresas
possuem o mesmo rigor na apuração e gestão
de seus balanços patrimoniais. Em vários casos, o
balanço é construído informalmente, no momento
da negociação, considerando a informação
disponível, a experiência e a boa fé das partes.
Todas as metodologias de avaliação servem a um propósito
principal: propor um valor econômico para o negócio
que possa ser racionalmente defendido, permitindo com isso uma base
consistente para a negociação. Sem essa base, muitas
operações de compra e venda tornam-se inviáveis,
uma vez que inexiste uma perspectiva clara dos parâmetros
de avaliação de cada uma das partes.
(*) Marcio Prado é sócio-diretor da DealMaker
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