Segundo os principais institutos de pesquisa brasileiros, as boas notícias sobre a economia nacional continuam a influenciar os resultados eleitorais e, sem dúvida, tornaram-se um grande impulsionador na reeleição do atual presidente da República.
Boas notícias tais como a queda da inflação, a queda da taxa básica dos juros – embora esta permaneça como uma das mais altas do mundo -, crescimento do crédito para os consumidores e o saldo positivo na balança comercial transmitem aos cidadãos a sensação de que tudo vai bem na economia do país.
No entanto, notícias publicadas nos últimos meses sobre o crescimento econômico pífio da economia brasileira, principalmente considerando-se o cenário internacional altamente favorável, com os países com os quais competimos crescendo a taxas muito superiores a nossa, nos levam a questionar: quais são as verdadeiras causas desta performance medíocre de nossa economia? A resposta para esta pergunta é relativamente simples e já foram citadas dezenas de vezes por boa parte dos analistas de plantão: juros altos, câmbio valorizado e carga tributária elevadíssima!
Certamente tais motivos são importantíssimos na avaliação desta questão, no entanto, há outras justificativas para esta performance tão aquém do observado em outras nações emergentes. Um fator relevante é a carência de investimentos públicos: com o Estado brasileiro gastando cada vez mais em custeio da máquina pública e cada vez menos em investimentos de infra-estrutura, a competitividade das empresas brasileiras fica seriamente prejucidada.
O baixo nível de poupança do País, por sua vez, consistentemente abaixo dos 20% do PIB nos últimos anos em grande parte devido a poupança negativa do setor público, é um outro ponto que merece ser ressaltado.
Neste cenário de anemia total da economia brasileira, um item fundamental é pouco discutido: a explosão dos custos de energia elétrica brasileira. No caso do setor industrial, entre 1995 e 2005, o crescimento das tarifas foi de 185% contra uma inflação de cerca de 60% no período. Além do alto custo, que colocou o Brasil como um dos países com tarifas industriais mais caras se comparado a nossos principais competidores internacionais, observamos a incerteza quanto aos cenários futuros já que nos últimos leilões de energia elétrica promovidos pelo Governo prevaleceram fontes de energia térmicas, mais caras e poluentes.
Tal fato certamente sinaliza preços ainda mais altos no futuro. Seja para empresas brasileiras que estão internacionalizando seu parque industrial, seja para multinacionais com bases de produção no país, fica cada vez mais difícil tomar decisões quanto a construir uma nova planta ou expandir as existentes no Brasil.
Isso se dá, em grande parte, em virtude da combinação explosiva de tarifas, que já são das mais elevadas do mundo, e das perspectivas de aumento ainda maior em um futuro muito breve, o que seria um verdadeiro “beijo da morte” na competitividade da indústria brasileira.
Estudo recente publicado pela FGV indica que para cada 30% de aumento real na tarifa de energia, o impacto negativo no crescimento do PIB nacional é de 1,2 pontos percentuais. Como nos últimos 6 anos o aumento da tarifa de energia elétrica para o segmento industrial cresceu 125% descontada a inflação, o impacto negativo no crescimento do PIB no período pode ser estimado em 4,8 pontos percentuais, sendo esta, portanto, mais uma importante contribuição para a mediocridade do nosso crescimento econômico.
O Brasil, se não quiser correr o risco de comprometer definitivamente sua competitividade global, precisa urgentemente definir sua opção de privilegiar um modelo hidrelétrico, que gera energia mais limpa e a custos mais competitivos, revendo um verdadeiro processo de “esterilização” de nosso recursos hídricos que tem sido feito via equivocadas premissas ambientais. Além disto, o governo deveria estimular a desoneração de investimentos e proporcionar melhores condições de financiamento para as novas unidades de geração hídrica.
Caso contrário teremos de que conviver por longos anos com energia cara e mais poluente afetando o crescimento econômico, a geração de empregos, o meio ambiente e o dinamismo exportador do país.
Autor: Omar Carneiro da Cunha – sócio da DealMaker.
11/2006
Crescimento pífio da economia: algumas razões pouco debatidas.
Segundo os principais institutos de pesquisa brasileiros, as boas notícias sobre a economia nacional continuam a influenciar os resultados eleitorais e, sem dúvida, tornaram-se um grande impulsionador na reeleição do atual presidente da República.
Boas notícias tais como a queda da inflação, a queda da taxa básica dos juros – embora esta permaneça como uma das mais altas do mundo -, crescimento do crédito para os consumidores e o saldo positivo na balança comercial transmitem aos cidadãos a sensação de que tudo vai bem na economia do país.
No entanto, notícias publicadas nos últimos meses sobre o crescimento econômico pífio da economia brasileira, principalmente considerando-se o cenário internacional altamente favorável, com os países com os quais competimos crescendo a taxas muito superiores a nossa, nos levam a questionar: quais são as verdadeiras causas desta performance medíocre de nossa economia? A resposta para esta pergunta é relativamente simples e já foram citadas dezenas de vezes por boa parte dos analistas de plantão: juros altos, câmbio valorizado e carga tributária elevadíssima!
Certamente tais motivos são importantíssimos na avaliação desta questão, no entanto, há outras justificativas para esta performance tão aquém do observado em outras nações emergentes. Um fator relevante é a carência de investimentos públicos: com o Estado brasileiro gastando cada vez mais em custeio da máquina pública e cada vez menos em investimentos de infra-estrutura, a competitividade das empresas brasileiras fica seriamente prejucidada.
O baixo nível de poupança do País, por sua vez, consistentemente abaixo dos 20% do PIB nos últimos anos em grande parte devido a poupança negativa do setor público, é um outro ponto que merece ser ressaltado.
Neste cenário de anemia total da economia brasileira, um item fundamental é pouco discutido: a explosão dos custos de energia elétrica brasileira. No caso do setor industrial, entre 1995 e 2005, o crescimento das tarifas foi de 185% contra uma inflação de cerca de 60% no período. Além do alto custo, que colocou o Brasil como um dos países com tarifas industriais mais caras se comparado a nossos principais competidores internacionais, observamos a incerteza quanto aos cenários futuros já que nos últimos leilões de energia elétrica promovidos pelo Governo prevaleceram fontes de energia térmicas, mais caras e poluentes.
Tal fato certamente sinaliza preços ainda mais altos no futuro. Seja para empresas brasileiras que estão internacionalizando seu parque industrial, seja para multinacionais com bases de produção no país, fica cada vez mais difícil tomar decisões quanto a construir uma nova planta ou expandir as existentes no Brasil.
Isso se dá, em grande parte, em virtude da combinação explosiva de tarifas, que já são das mais elevadas do mundo, e das perspectivas de aumento ainda maior em um futuro muito breve, o que seria um verdadeiro “beijo da morte” na competitividade da indústria brasileira.
Estudo recente publicado pela FGV indica que para cada 30% de aumento real na tarifa de energia, o impacto negativo no crescimento do PIB nacional é de 1,2 pontos percentuais. Como nos últimos 6 anos o aumento da tarifa de energia elétrica para o segmento industrial cresceu 125% descontada a inflação, o impacto negativo no crescimento do PIB no período pode ser estimado em 4,8 pontos percentuais, sendo esta, portanto, mais uma importante contribuição para a mediocridade do nosso crescimento econômico.
O Brasil, se não quiser correr o risco de comprometer definitivamente sua competitividade global, precisa urgentemente definir sua opção de privilegiar um modelo hidrelétrico, que gera energia mais limpa e a custos mais competitivos, revendo um verdadeiro processo de “esterilização” de nosso recursos hídricos que tem sido feito via equivocadas premissas ambientais. Além disto, o governo deveria estimular a desoneração de investimentos e proporcionar melhores condições de financiamento para as novas unidades de geração hídrica.
Caso contrário teremos de que conviver por longos anos com energia cara e mais poluente afetando o crescimento econômico, a geração de empregos, o meio ambiente e o dinamismo exportador do país.
Autor: Omar Carneiro da Cunha – sócio da DealMaker.
11/2006