Empresas vão manter opção por renda fixa no próximo ano

Diante da volatilidade da economia mundial ocasionada pelas incertezas de contágio da crise na Europa e aversão do investidor estrangeiro ao risco, as empresas brasileiras devem manter a captação no mercado doméstico de títulos de renda fixa nos próximos meses, projeta Alberto Kiraly, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). No segmento de renda variável, contudo, as emissões devem permanecer em follow-on, sem novas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) na bolsa de valores.

Segundo boletim referente ao mês de outubro da associação, o total de captações no mercado de capitais realizado pelas empresas soma R$ 4,9 bilhões, com o total de R$ 91,449 bilhões no ano.

O segmento de renda fixa lidera as emissões, com 64,6% e total de R$ 3,199 bilhões. No ano, o valor atinge R$ 72,467 bilhões. Já a oferta de ativos de renda variável chega a R$ 1,8 bilhão, com total de R$ 18,982 bilhões em 2011.

O vice-presidente da Anbima, Alberto Kiraly, ressalta que o clima de incerteza no cenário internacional incentiva a utilização de emissões locais como fonte de recursos financeiros. “Não é uma questão de opção para as empresas, o mercado externo está fechado e de renda variável instável. Dessa forma, não achamos que haverá uma mudança de cenário até o final do ano”.

Em outubro de 2010, a emissão primária de ações correspondia a 65,2% das captações e secundária a 3,1%, sendo que somente 31,7% estava concentrado em renda fixa. Atualmente, a situação se inverte e debêntures respondem por 43,2% do total, notas promissórias por 13,9%, Fundos de Investimento de Direito Creditório (FIDC) 10,8% e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) com 11,3%.

Somente no último mês foram realizadas três captações com debêntures, duas com CRIs e cinco de FIDCs, que somam R$ 1,9 bilhão. “Renda fixa demonstra maior dinamismo e é um mercado ativo, principalmente s últimos meses, pois as empresas desejam virar o ano com dinheiro em caixa. Assim, acredito que deverá haver maior número de operações, em torno de duas ou três”.

Neste segmento, permanece elevada a participação das ofertas com esforços restritos. De janeiro a outubro, todas as emissões de notas promissórias foram distribuídas por esta modalidade, assim como 92,5% das debêntures, 67,2% dos CRIs e 47,4% dos FIDCs

Além do fechamento investimentos originados no cenário internacional e as incertezas que impedem o desenvolvimento do mercado acionário, a Anbima justifica o aumento da demanda por renda fixa pela tendência de queda da taxa básica de juros (Selic). O vice-presidente explica que está diretamente ligado ao valor pago pela companhia. “O custo da captação já tem impacto com a tendência de redução da Selic. Então, hoje em dia, este é um estímulo adicional para que as empresas continuem a acessar com renda fixa”. O prazo médio, segundo Kiraly, deve permanecer em 5 anos.

Ao ser questionado sobre o impacto de uma possível melhora do Ibovespa, Kiraly é enfático ao dizer que não há como prever a tendência, pois permanece com oscilações diárias. “A gente tem notado uma gangorra. A crise na Europa apresenta uma melhora, a bolsa sobe e vice-versa. Isto reflete diretamente no Brasil”.

Do total de R$ 1,754 bilhão captados em renda variável durante o décimo mês do ano, follow-on corresponde ao valor total. De acordo com o vice-presidente da Anbima, a situação deve permanecer sem alterações nos próximos meses. “Se houverem operações de IPO, serão muito específicas, de grande volume e seletivas. Há algumas operações de IPO em andamento, mas acredito que follow -on deve continuar como o destaque”.

Até o momento há três ofertas em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que consistem em emissões das companhias CVC, Isolux Infrastructure e Petrorecôncavo. No entanto, a última foi interrompida conforme artigo 10 da Instrução 400, que possibilita o bloqueio da emissão com solicitação por parte do líder da distribuição e ofertante.

Durante o ano de 2011, até outubro, foram realizadas 23 ofertas, compostas por 12 follow-ons e 11 IPOs. Das emissões, 19 estão no Novo Mercado da BM&F Bovespa. O maior valor registrado pela CVM foi da Gerdau, de R$ 5,537 bilhões, seguido pela TIM Participações, que ofertou R$ 1,722 bilhões, e QGEP Participações, com R$ 1,515 bilhões. As menores importâncias correspondem às empresas CTEEP, de R$ 32 milhões, e Brasil Brokers, de R$ 199 milhões.

Emissão externa

No mercado internacional, foi realizada uma operação com título de renda fixa em setembro, de US$ 662 milhões, e em outubro ocorreu a da Eletrobrás, no valor de US$ 1,75 bilhão. No ano, o volume de captações externas chega a US$ 32,5 bilhões.

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