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Técnicas
de guerrilha para atingir consumidor
(Comentário
Dealmaker)
Em vez de distribuir um folheto no semáforo
e concorrer com dezenas de outros lançamentos imobiliários
que são empurrados aos motoristas diariamente, a Gafisa e
a Atlântica Residencial resolveram inovar para promover o
condomínio Villagio Panamby, no bairro do Morumbi, em São
Paulo: distribuíram mudas de plantas. Ao todo, serão
25 mil mudas de uma espécie de planta que pode ser encontrada
no bosque de Mata Atlântica localizado dentro do condomínio.
Junto com a muda, apenas uma sutil menção ao empreendimento.
No
Reino Unido, uma revista inglesa precisava de uma ação
que repercutisse na mídia nacional para promover a sua eleição
anual das 100 mulheres mais sexy da Inglaterra. Contratou a agência
CSC, que projetou a imagem de uma das concorrentes preferidas nua
no Parlamento inglês. A ação atingiu 40 milhões
de pessoas.
O
uso do inusitado em promoções de marketing foi criado
há décadas, mas essas ações originais
estão se tornando cada vez mais populares. É o chamado
marketing de guerrilha entrando na ferrenha disputa pela atenção
dos consumidores.
A
briga por espaço é tanta que pipocaram nos últimos
anos diversas agências, principalmente nos Estados Unidos
e Europa, especializadas em fazer unicamente marketing de guerrilha
para pequenas e médias empresas. No Brasil, surgem agora
as ações da primeira agência especializada nesse
modelo no país, a Espalhe, que entrou em atividade no início
do ano, criada por dois publicitários e um administrador.
A agência, parceira da inglesa CSC no Brasil, é a responsável
pela distribuição das mudas e de várias outras
ações que divulgarão o lançamento do
condomínio no Morumbi.
A
estratégia é atacar o consumidor da forma menos esperada
e convencional possível. E, geralmente, com um custo mais
baixo do que a mídia tradicional, já que esse modelo
dispensa ações em televisão, revistas e outdoors.
A Espalhe criou, também, uma empresa para fazer a parte de
relações públicas e contato com a imprensa,
a Fan (ventilador, em inglês).
"O
mercado está muito barulhento, gente demais querendo aparecer,
e nós buscávamos uma forma de sobressair as marcas
dos clientes. Então percebemos que, em vez de gritar mais
alto, poderíamos fazer um barulho diferente", conta
um dos sócios da Espalhe, Gustavo Fortes.
Usando
as táticas da guerrilha bélica, que usa criatividade,
foco e energia em vez de dinheiro, o conceito de marketing de guerrilha
não visa concorrer diretamente com as agências de propaganda.
"Não pretendemos fazer comunicação de
massa, que as agências tradicionais fazem muito bem. O marketing
de guerrilha atinge um número reduzido de pessoas, porém
mais posicionado e com um contato direto com o consumidor",
diz Fortes, que conquistou clientes como a Gafisa, Iqara Telecom
e Bosh.
Fortes
e seus dois outros sócios, Marcelo Vial e Cleber Martins,
trouxeram ao Brasil diversos conceitos que fazem parte do marketing
de guerrilha, como o marketing viral (espalhar histórias
no boca a boca ou pela internet, como se fosse um vírus)
e o "ambush marketing" (marketing de emboscada). Uma das
armas é gerar, através das ações diferenciadas,
uma repercussão espontânea na mídia.
Mas,
apesar de vantajosa para empresas com orçamento apertado,
a técnica de guerrilha também é adotada por
empresas de grande porte que buscam fortalecer suas marcas de forma
diferente, como Nike, IBM e a tradicional empresa de cosméticos
inglesa The Body Shop, que transformou as lojas em postos de ação
pelos direitos humanos.
05/06/2003
- Valor Econômico
Comentário
DealMaker
Técnicas
de guerrilha de marketing começam a ganhar espaço
no Brasil com a chegada de agências especializadas neste tipo
de marketing. A estratégia dos guerrilheiros é atacar
o consumidor da forma menos esperada e convencional possível.
E, geralmente, com um custo mais baixo do que a mídia tradicional,
já que esse modelo dispensa ações em televisão,
revistas e outdoors.
A
necessidade de guerrilha de marketing é baseada nos seguintes
fatos:
1.
Devido ao downsizing das grandes empresas, descentralização,
relaxamento de regras governamentais, tecnologia barata e uma revolução
em conscientização, indivíduos ao redor do
mundo estão se transferindo para pequenas empresas num volume
nunca visto anteriormente;
2.
A falência de pequenas empresas quebra recordes globalmente
e uma das principais razões é a dificuldade em compreender
a disciplina de marketing; e,
3.
Guerrilha de marketing funciona em empresas de pequeno porte porque
é simples de entender, fácil de implementar e extremamente
barata.
A
economia brasileira tem mais de 2 milhões de empresas de
pequeno e médio porte que prometem representar um mercado
de muito potencial para os guerrilheiros. Com a necessidade de sobreviver
nesta economia e a criatividade dos marketeiros brasileiros, guerrilha
de marketing veio para ficar e crescer.
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